Protetora resgata cães e gatos abandonados na Cracolândia

Em meio a imóveis abandonados, terrenos baldios e casas condenadas, uma pensão na Alameda Dino Bueno, na Cracolândia, se destaca pela fachada preservada e a constante presença de cachorros em sua porta. A matilha que lá permanece é uma pequena parte dos 80 animais que vivem na pensão comandada por Maria das Graças Bernardino, a Dona Graça, de 53 anos.

O imóvel abriga, além de dona Graça, uma neta sua, uma bisneta, 50 cães e 30 gatos (na conta dela). São tantos animais que, entre os cinco cães-recepcionistas da pensão, três têm o mesmo nome: Neguinha.

A maioria foi resgatada na região. “Eram do pessoal que ficava por aqui [usuários de drogas]. Mas como muitos foram presos, os cachorros ficaram sem ninguém”, disse. “Muitos eu dei comida e água, outros que estavam doentes ou machucados eu tratei. Depois que saravam, não queriam sair daqui e ficavam.”

A paixão pelos animais surgiu há cinco anos, quando uma amiga, também protetora, a levou a socorrer cães abandonados nas ruas. Naquela época ela adotou seus dois primeiros cachorros. A dedicação e a empatia pelos bichos, porém, não pararam de crescer –assim como as contas.

Dona Graça estima gastar, por mês, R$ 3 mil em ração. “Tudo o que eu ganho vai para eles. Queria conseguir um terreninho para levar eles, mas o dinheiro não sobra”, disse.

“Se eles me colocarem na rua, não tenho para onde ir. Eu vou ficar na rua com todos eles. Mas abandonar, eu não abandono.”

Dona Graça disse que sempre morou no Centro de São Paulo, principalmente nos Campos Elíseos. Ela viu de perto o bairro se degradar até virar uma terra do crack. Sua pensão abrigou personagens das eras pré e pós Cracolândia.

“Antes era só família. Depois que esse pessoal veio para aqui, as famílias tudo saíram. Foram tudo embora. Não tive alternativa a não ser alugar para as pessoas que ficavam aqui na rua. Mas eles não moravam aqui. Eles vinham para tomar banho, dormir, descansar algumas horas. Agora foram todos embora. Agora só tem os cães e os gatos e minha neta e bisneta.”

A megaoperação da polícia, que prendeu 53 pessoas e deslocou os usuários para outros pontos do Centro (principalmente a Praça Princesa Isabel), deixou a vizinhança mais segura, mas também espantou os hóspedes.

Fonte: Globo.com

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